O quase indecifrável discurso da roupa.

Na semana passada, contribui com a Vanessa Barone para uma matéria muito interessante veiculada pelo site do Valor Econômico. Veja alguns trechos:

  • Do ponto de vista do conforto, a diferença entre uma bermuda e uma calça de algodão pode ser quase nenhuma. Mas, do ponto de vista da mensagem que essas duas peças transmitem, a distinção é enorme. As roupas falam – feliz ou infelizmente. E quando elas “abrem a boca”, nada pode fazê-las calar.
  • Conforme matéria publicada pelo Valor, em junho, é alta a frequência com que diretores de recursos humanos ainda flagram funcionários vestidos de forma inapropriada para o ambiente profissional. A pesquisa, feita pela consultoria de recrutamento Robert Half, ouviu 1.775 executivos de 19 países. Especificamente no Brasil, as entrevistas revelaram que 22% deles se deparam com colegas mal vestidos “com muita frequência”. Vale dizer que a média entre os entrevistados que responderam a mesma coisa, no mundo, foi de 9%. Pode-se concluir que o homem brasileiro está um tantinho atrás de seus pares estrangeiros, quando o assunto é acertar no “dress code“.
  • A uniformização do vestuário masculino, na forma de ternos e costumes, começou a se configurar a partir daí. A roupa foi perdendo detalhes e adornos até tornar-se austera, no princípio do século XX. De lá pra cá, houve pouca variação no conjunto formado por paletó, camisa, gravata e calça. Apenas o colete foi caindo em desuso – junto com o exercício da “gramática da moda”. E como se aprende na escola: o que não é exercitado, dificilmente é aprendido.
  • “A vestimenta formal masculina é tão cheia de regras que não deu espaço para o homem exercitar a criatividade”, diz Silvana Bianchini, consultora de imagem e sócia do site imagempessoal.com.br. Segundo Silvana, até alguns anos atrás, o homem sequer se olhava no espelho. E, até hoje, não é tão bem informado quanto são as mulheres. Por conta disso, o sujeito muitas vezes não sabe avaliar o impacto de suas roupas.
  • Voltando ao exemplo do começo do texto, uma bermuda não pode ser usada no “casual Friday” em nenhuma hipótese – mesmo em firmas altamente liberais. “Infelizmente, temos de nos basear na leitura que a maior parte das pessoas faz”, diz Silvana. “A bermuda é lida como roupa de lazer e nunca vai transmitir uma imagem profissional.” O mesmo vale para a dupla jeans e camiseta para fora da calça – que parece exibir o letreiro: “vim com a roupa que estava em casa”.

Se quiser ler a matéria na íntegra, acesse o link: http://www.valor.com.br/cultura/3230430/o-quase-indecifravel-discurso-da-roupa

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